A "Deficiente" de Amor
Xandy e
Breno estavam em lua-de-mel. Eram recém-casados. E quanta alegria! Xandy estava
feliz por ter se casado com Breno, e Breno com Xandy. Estavam passando a lua-de-mel
na Flórida, exigência de Breno, já que seu primo, Lorenzo, quis parabenizar o
casal, dando seu presente e mostrando um pouco das belezas do local.
Passada
a ótima lua-de-mel, Xandy e Breno voltaram para Madagascar, onde a mãe de
Xandy, Ella, morava. Ella havia insistido para que o casal morasse em seu
apartamento, pois havia outro para locação ao lado, onde Ella moraria. O
apartamento de Xandy e Breno era espaçoso, com direito à banheira de
hidromassagem. Era bem arejado, com cinco janelas e uma varanda bonita, com
vasos de flores de variadas espécimes.
Três
meses depois, o casal recebeu uma notícia: Xandy estava grávida! E era uma
menina! Que alegria de Breno! Fazia tempo que ele gostaria de ter alguém para
cuidar, queria um (a) filho (a)! Algum tempo depois dessa notícia, Xandy estava
escolhendo um nome para sua filhinha: seria Rebeca! Mas Breno gostaria de
Tainá. Isso rendeu uma boa discussão entre eles, mas por fim acabaram
escolhendo, por intervenção de Ella, Penélope.
Breno
estava no hospital, esperando para ter uma primeira visão de Penélope. Estava
ansioso para ter companhia nas tardes de sábado, já que Xandy sempre ia visitar
o pai, que morava em Nosy Be, e voltava na segunda-feira. Então, uma enfermeira
foi ao seu encontro, dizendo que ele poderia visitar sua esposa. Saiu correndo
da sala de espera e, quando chegou ao quarto, Xandy estava deprimida. Então,
Breno perguntou:
__ Xandy,
querida! O que foi? Cadê nossa filha?
__ Penélope?
Ela nasceu com uma paralisia cerebral...
__ Minha
Penélo...
Breno
não conseguiu terminar sua frase. Em vez disso, esperou a sua mulher
impacientemente até que foi liberada, voltando para o apartamento onde viviam.
Tudo já estava pronto: o berço do bebê, as roupinhas, o sofisticado roupeiro, o
carrinho para transporte... Tudo estava perfeitamente e impecavelmente em ordem
para a chegada de Penélope. Entrando no apartamento, Xandy foi para o quartinho
do bebê, colocando-a no berço e enchendo-a de beijos. Então ela voltou para a
sala, onde o marido assista TV.
__ É
tudo culpa sua...
Disse Breno,
aos sussurros.
__ Como?
Xandy
disse, duvidosa.
__ É
tudo sua culpa pela Penélope ter nascido com deficiências.
Breno
destacou bem a última palavra.
__ Como
assim, culpa minha?
__ Você
é incompetente. Não serve nem para trazer ao mundo uma criança normal, como as
outras tantas que vimos e sonhamos, por aí.
Breno
já estava engrossando a voz.
__ A
culpa é minha se a criança nasceu deficiente? Deve ter puxado a você, pela
parte de sua família! E como assim, eu não consigo fazer uma criança normal? É
você que deve ter problemas. Quer que eu pague um médico pra ti?
Disse
Xandy, já perdendo a paciência com o marido.
__ Olha
aqui, Xandy. Eu gostaria de ter uma filha normal, não igual à mãe, que já não
bate bem da cabeça.
__ Fique
quieto Breno. Você sabe que tenho razão. Mas se quer ser preconceituoso...
__ Fique
quieta você!
__ Só
se eu quiser, e nesse momento eu não estou com muita vontade! Você não me manda,
seu imbecil!
__ Opa!
Resolveu engrossar comigo, é? Sua, sua... Inútil!
__ Inútil?
Olha só! A inútil aqui te serviu sopinha no prato e camarão grelhado na hora
que você queria! Aposto que nunca lavou uma peça de roupa na vida! Então, a
inútil aqui teve de fazer tudo e mais um pouco para agradar o maridinho
querido! Aliás, “ex-marido”!
__ É
assim, então “ex-mulher”? Então, vamos nos separar!
__ Concordo,
apoio e assino embaixo! Ou melhor, dividiremos cada cômodo desse apartamento
dois! Uma parte para cada um! Mas EU ficarei com o cômodo do quartinho de
Penélope!
__ Por
mim, tudo bem, desde que eu fique com a TV na minha parte.
Disse
Breno, pondo fim no assunto, com a voz mais relaxada.
E assim
passaram-se os dias, semanas, meses, anos. E a garotinha Penélope crescendo no
meio dessa confusão. E então? Será que a garotinha Penélope conseguirá
sobreviver no meio desta situação, com pai e mãe brigados, talvez para sempre?
Veja, na parte 2, que publicarei na semana que vem.
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